O Terapeuta da Fala é o profissional com competência própria para prevenir, avaliar e intervir, sem prejuízo de outras áreas igualmente relevantes, ao nível das perturbações da comunicação e deglutição.
Quais as áreas de intervenção da Terapia da Fala?
Após o nascimento, o Terapeuta da Fala pode intervir no recém-nascido na área da alimentação e da interação entre o bebé e o meio que o rodeia;
Na fase pré-escolar, o papel do Terapeuta da Fala passa por promover competências da linguagem, da fala ou da voz, potenciando e promovendo a melhor comunicação possível (nesta faixa etária, as dificuldades na alimentação também podem constituir um fator de intervenção);
Em idade escolar, apoia nas dificuldades da leitura e da escrita, decorrentes de perturbações na linguagem;
Nos adultos e idosos, a terapia centra-se nas perturbações adquiridas da linguagem, patologias da voz, assim como, nas dificuldades de deglutição.
Quando devo levar o meu filho à Terapia da Fala? Quais os sinais de alerta?
Até aos 12 meses
- Demora muito tempo na amamentação;
- Apresenta refluxo gastroesofágico frequentemente:
- Apresenta tosse durante e depois da amamentação;
- Não reage a vozes familiares (exemplo: pai e mãe);
- Não olha diretamente para o adulto (contacto ocular);
- Não sorri;
- Não palra;
- Não se interessa por objetos ou brinquedos;
- Não usa gestos (exemplo: dizer adeus ou apontar);
- Não reconhece palavras presentes nas rotinas;
- Não produz sons (exemplo: papapa, bababa, mamama);
- Não reage quando chamam pelo seu nome;
Entre os 12 e os 24 meses
- Apresenta recusa ou seletividade alimentar depois da introdução de novas texturas e sabores;
- Engasga-se frequentemente;
- Fica muito tempo com o alimento na boca e não engole;
- Não gosta de ter as mãos e o rosto sujos;
- Compreende poucos conceitos;
- Não dirige o olhar quando se aponta para um objeto, pessoa ou brinquedo;
- Não repete ou imita sons/palavras;
- Regride ou não evolui na linguagem;
- Não segue ordens simples (exemplo:”dá a bola”);
- Privilegia o gesto às vocalizações para comunicar com o meio
Entre os 2 e os 3 anos
- Apresenta uma voz rouca ou anasalada;
- Não diz palavras com intencionalidade;
- Não diz frases (não combina três ou mais palavras);
- Não faz perguntas;
- Prefere o gesto à fala para comunicar;
- Repete parcial ou literalmente o discurso do interlocutor, mas não responde ao que foi perguntado (exemplo: mãe: “Queres água?”; criança: “Queres água?”);
- O adulto tem dificuldade em entender a maioria do discurso da criança;
Entre os 3 e os 4 anos
- Fala muito alto;
- Está frequentemente rouco ou sem voz;
- Não faz perguntas nem responde a questões;
- Usa “isto”/”coisa” em vez do nome do conceito frequentemente;
- Produz frases curtas;
- Não compreende ordens sem ajudas como o apontar ou a utilização de gestos;
Entre os 4 e os 5 anos
- Fala muito alto;
- Está frequentemente rouco ou sem voz;
- Troca sons da fala;
- Omite sons da fala;
- Apresenta bloqueios ou repetições em palavras e ou frases;
- Não consegue relatar acontecimentos da rotina;
Entre os 5 e os 6 anos:
- Fala muito alto;
- Está frequentemente rouco ou sem voz;
- Troca sons da fala;
- Omite sons da fala;
- Não consegue produzir frases organizadas;
- Não consegue dividir as palavras em sílabas;
- Não identifica semelhanças ou diferenças entre sons da fala (exemplo: Caça e Casa);
Depois do primeiro ano escolar
- Omite sílabas ou letras na escrita;
- Troca sílabas ou letras na escrita;
- Apresenta dificuldades na discriminação de sons;
- Não compreende frases escritas;
- Apresenta dificuldades na elaboração de frases escritas com coerência entre os conceitos;